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quarta-feira, 15 de junho de 2016

O PRELÚDIO DA FINITUDE


-Ah, essa “indesejável das gentes” –  a morte!...
Será mesmo... que se há que temê-la tanto?
Ora!... Se tanto ela, a desconhecida morte,
Quanto ess’outra...a iluminada vida,
Talvez nada mais sejam que, apenas,
Breves ou longos momentos...
De uma única e mesma vida,
A serem vividos intensamente...
Então, por que temê-la tanto hein?
        
      -Ou talvez, quem sabe não sejam, elas,
A vida luminosa e a morte desconhecida...
Nada mais que...tão-somente,
Uma, o visível anverso da outra...
Que, por enquanto, ainda só nos é...
Apenas o obscuro reverso
Da mesma moeda-vida iluminada
Então, por que temer tanto a morte hein ?..

-Ou talvez ainda, quem sabe se uma...
 – a vida  iluminada - 
Não seja apenas o agora,
E que a outra...
– a morte desconhecida –
Não seja senão, tão-somente, o não ainda,
Dessa mesma vida aqui...
Que ainda está por vir...
E certamente virá...
Tão logo nos desencasulemos,
E se assim for, pra quê tanto pavor...
E tamanho assombramento?”
                    
Montes Claros (MG) 2014, RELMendes 

sábado, 11 de junho de 2016

MÃE É UM PUNHADÃO DE TUDO DE BÃO

-Mãe é um realejo a tocar
Cantigas de ninar...
-Mãe é um carrinho de algodão doce
A adocicar nosso percurso
E os nossos descaminhos...
-Mãe é um frasquinho de perfume
Que gostamos de cheirar muito
Pra sentir sua fragrância...inesquecível,
A nos perfumar a vida inteirinha...
-Mãe é uma gangorra encantada
Onde se gosta de balangar
Por horas e horas a fio...
-Mãe é um jardim em flor
Que se derrama em amor-perfeito
Pra enfeitar nossos dias...
-Mãe é uma eterna reticência...
Porque está continuamente
Se desdobrando em pedaçinhos
De ternura e carinho...
-Mãe é um berçinho de aconchego
Onde se pode descansar...profundamente,
Sem nenhum sobressalto
Nem tampouco qualquer medo...
Mãe é um céu estrelado
Porque os olhos de nossas mães
Estão sempre cheios de estrelinhas
Pra nos alumiar os caminhos...
-Mãe é uma vivendinha
De porta sempre aberta
Pra nos acolher
Quando...por algum motivo,
Quer sopro forte do vento
Ou a chuva que desaba
Perdemo-nos pelo caminho...
-Mãe é um amor, e o amor
Que invade...com jeitinho,
O coração da gente pra sempre...

-Ara! Mãe é tudo de bão, sô!
-Ah, minha mãe!
-Minha gente, se eu tivesse que escolher
Uma mãe, eu escolheria a minha...ora!

Montes Claros (MG), O7/05/2016

Romildo Ernesto de Leitão Mendes (RELMendes)

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Um jeito barroco de ser e de viver!

                    ( Poe-crônica)
-O barroco é muito mais que um estilo artístico.
O barroco é, sobretudo, um jeito de ser e de viver...
Que...visivelmente, do final do século XVI
A meados do século XVIII...     
Permeou todas as espécies de obras de arte...
Produzidas naquele então, já tão distante...
Mas que, ainda hoje, é tão presente entre os europeus,
E entre nós brasileiros...quer os da orla marítima,
Quer os das plagas das Gerais de Aleijadinho...
Aliás, guisa de esclarecimento, o barroco mineiro
É o verdadeiro barroco brasileiro.
Porquanto, tanto seus artistas...
Quanto o material utilizado em suas obras de arte...
Eram, totalmente, brasileiros (mineiros).



-Então, vamos lá ao que nos interessa!

-Nas curvas e contracurvas
Do movimentado estilo...(barroco)
Ora, há muitos momentos de sombra:
Ansiedade!... Angustia!... Tristeza!...
Dissecação de cadáveres! Peste Negra!...
Portanto, é acentuadíssimo seu gosto pelo mórbido.

- Mas...ora, também, é de todos sabido
Que em todas as obras da arte barroca...
Esses muitos sombrios momentos...via de regra,
Intercalam-se...frequentemente,  a tantos outros...
De luz intensa e de uma claridade indescritíveis,                       
(como se fora eles verdadeiras epifanias do divino)                                        
A movimentar, alegremente, a vida do dia a dia
Ali nessas obras tão explicitamente contidas,
Para amenizá-las e embelezá-las...sobremaneira,
Face tão explicita morbidez constante
Com a qual todos os artistas barrocos as enfeitavam.

-Porquanto, vale à pena se constatar...
Que em qualquer pintura ou escultura barrocas,
-Quer em qualquer uma das inúmeras “Santa Ceia”...
(À nossa disposição por ai...pra serem apreciadas)  
-Quer em quaisquer outros temas retratados...
Por qualquer um dos artistas desse dito estilo...
Pois, certamente lá, em suas obras artísticas, sempre haverá
Um pouco de tudo do que disse alhures, tais como:

-Numa ceia esplêndida sempre haverá...
-Um candelabro aceso, no teto, para iluminá-la a contento;
-Um enxame de anjinhos bochechudos a esvoaçar pelo salão...
Após transpor um “olho de boi de pedra sabão”;
-Uma mão a coçar o orobó repleto de oxiúros...irrequietos,
Ah! Por decerto, isto, sempre há de haver...ora!;
-Um cachorro e um porco a vasculhar o lixo à cata de alimentos...
Ah! Certamente haverá também!;
-Um fiapo de catarro a escorrer do nariz de um garotinho imundo
Que se arrasta pelo chão a berrar... Ah! Sem dúvidas há de haver!;
-Um idoso (a) peidorreiro (a) tentando disfarçar o mau cheiro
Do seu fedorento peido... Ah! Não pode faltar!;
-Umas belas serviçais a se movimentarem graciosas...
Colhendo vinho nas talhas pra servi-lo aos comensais...
Ah! Isso nunca há de faltar jamais!...
-E não faltarão tampouco, também, gestos exagerados
A se derramarem abundantes em todas elas,
Rebuscando-lhes de um esplendor exuberante...


-Ah! Esse dia a dia pictográfico do barroco
Sempre se veste dessa...hilária e encantadora,
Multiplicidade de detalhes que sempre nos permitem...
Não só observar a obra, mas, entrar nela...
E participarmos dela como protagonistas,
Porque, ao esconder, habilidosamente, seu ponto de fuga...
Qualquer pessoa, qualquer objeto, ou qualquer coisinha
(aparentemente insignificante)
Destacar-se-á, nela, sobremaneira, significativamente,
No mesmo espaço e ao mesmo tempo...
Tornando assim a obra barroca...esplendorosa,
Bela, e extremamente exuberante.

-Ah! O tal jeito barroco de ser e de viver
É um não explícito...ao “mais do mesmo”,
(No caso o estilo renascentista)
É um intenso e denso movimento envolvente,
É uma interação total...entre o humano e o divino,
E não, simplesmente, uma grotesca expressão do feio...
Como disseram alguns “experts” em arte, mundo a fora.

Montes Claros (MG), 12-12-2013

RELMendes 

quinta-feira, 2 de junho de 2016

O JARDIM DA TERNURA

( Fi-lo para o deleite do nosso amor!)

Oi... clarão de meus desatinos,
Vem cá!... Vaguemos despreocupados...
Por entre as touceiras de lírios alvos
Desse nosso lindo jardim de ternura,
E deixemo-nos perfumar, sem economias,
Pelo doce cheiro que deles exala...
E...generosamente,
Impregna o ar dessa brisa fresca
Que envolvente nos abraça...

Oi... clarão de meus desatinos,
Vem cá!... Consintamos, sem pundonores,
Que os frutos saborosos desse divino momento
Saciem-nos de carícias ternas e voluptuosas...
E que elas aplaquem o frenesi
Dessa nossa incandescente paixão
Ao som dos acordes dos gorjeios maviosos
Dos sabiás, colibris e juritis-avoantes...

Oi...clarão de meus desatinos,
Vem cá!... Adormeçamos agora às margens
Dessas nascentes de água límpida e fresca
Para nos refrescarmos do abrasador amor ardente
Que em nosso voluptuoso ser
Ainda inflamado esplende...


Oi...clarão de meus desatinos,
Vem cá!... Aquietemo-nos...
E de almas e ânimos serenados...
Esperemos novos alvoreceres esplendorosos
  (Que acendam nossos dias!)
Novos entardeceres enfeitados de crepúsculos inebriantes
(Que bordem de alegria nosso leito!)
E novas noites estreladas e enluaradas
Que alumiem o jardim do nosso amor
Com rasgos de uma ternura sem fim...

Montes Claros (MG), 02-06-2014
RELMendes

terça-feira, 31 de maio de 2016

O que seria a vida, hein???



O poeta pensou, sorriu...e disse:
 - Ah! Pra mim... a vida é um empório de
surpresas; surpresas ora docinhas...
que nem as  guloseimas coloridas
 (Das bodegas da esquina da infância!...)
Ora amargas... que nem os chás :
-De sumo de folhas de boldo...
-De flores de mamoeiro macho...
(Pra aliviar entojo de empanzinado...
ou de cachaceiro embriagado!)
Mas...
Quem quer degustar a vida vida, em plenitude,
Não há que se amofinar
Em face desses embrolhos pontuais do dia a dia.
Pois... para saborearmos o fascínio da vida vida...
É preciso amar... sorrir... cantar... e assoviar,
Em quaisquer circunstâncias que nos encontremos...
E por fim...
Transformá-la (a vida!) num lindo poema de amor
          ( E basta!)
E a sorrir...o poeta,  poetinha,  poetão
Saiu... bem devagarzinho, e partiu.” 


Montes Claros (MG),2014, RELMendes

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Um punhado de infâncias

(é tudo de bom!)

-Lançar piões de alegria ao léu,
-Soltar pipas coloridas...ao céu das fantasias pueris,
-Borboletear brincadeiras de menino traquinas...
Pelos jardins desse mundaréu de meu Deus afora,
-Cantarolar cantigas de minar passarinhos gorjeadores...
E de acalentar miosótis e azaléias bordôs do meu jardim,
-Jogar conversa fora...com a moça bonita da varanda ao lado,
-Caminhar...na ponta dos pés, pra observar...de esguelha,
O  sorrateiro valsar dos colibris azuis
Nos desvãos dos ramos das açucenas...
E por fim...ledo, saciar-me de infâncias.

Montes Claros (MG), 27-05-2014

RELMendes

domingo, 22 de maio de 2016

LARINHA, A CACHORRINHA DA GENTE


Êta cachorrinha sabidinha!
Se eu contasse suas traquinagens...
E seus feitos inteligentes,
Não haveria quem acreditasse em mim.
Mas que é verdade, é!
Por favor, não duvidem!

-A nossa querida Larinha...
Só é pequenininha, mas é valente
Que nem um pit-bul feroz!
Ela, coitadinha, nem imagina
Em que apuros nos enfia...
Quando...ao sair pelas ruas conosco,
Ela se põe a latir e a rosnar aos cães vadios.
Só me resta dizer: Pernas pra quê as quero?

-Ah! Mas ai de quem ousar
Se aproximar da gente...
Quando ela está conosco na rua
Fazendo o seu passeio vespertino
De todos os dias da semana...
Certamente correrá, indubitavelmente,
O enorme risco de ser escorraçado por ela.
 KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

Êta cachorrinha sistemática sô!
Pra Larinha,  tudo...mas tudo mesmo,
Tem que ser na hora certa...
Tudo tem que está sempre
No lugar de sempre...
Mas é tão leal, que...as vezes,
Digo-me: Meu Deus...temos muito
O que aprender com esses bichinhos!

Montes Claros (MG), 10/05/2016

Romildo Ernesto de Leitão Mendes (RELMendes)