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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Se é Gabriela/ por decerto/ é bela!...



-Cheiro de cravo/pilado/
Pele cor de canela/ralada/
Sempre asperge beleza...
Por onde passa faceira:
- Na roça ou no vilarejo,
- Nas vielas/ ruas/ calçadas/
- Nas bodegas/ botecos/
- Biroscas ou bares...
Gabriela / ah/tinhosamente/
Sempre/ por onde pisa/ manhosa/
Arranca suspiros e ais/
Profundos/ à beça!

-Nas praias... Ah/nem se fala/!
Quando faceira /nelas/ Gabriela desfila/
Com proposital malemolência/
Sob os olhares /ávidos e  indecorosos/
Daqueles que foram por ela /fascinados/
É só encantamento!...

-Ah, meu camarada!
Quando /na tina a transbordar/
Gabriela se banha nua/Putzgrila!
Não há quem/no mundo/ contenha
A desvairada paixão...avassaladora/
Que por ela aflora/ rua afora!...

-Gente/ isto  não sou eu quem o diz/não/
Mas sim/ aquele tal do Jorge/
Amado escritor /brasileiro/
Que ninguém/ se bom da cabeça/
Ousa contradizê-lo/ Jamais!...


Montes Claro (MG), 19-06-2012
RELMendes

terça-feira, 24 de outubro de 2017

DESPEDIDA FINAL



                  (Epitáfio)


-Eu quereria que ela/ minha despedida final/fosse singela
Como o são meus “versins” / despretensiosos/
Que ela/ minha despedida final/ fosse discreta
Como o é o desaparecer dos passarinhos
Que sempre partem/ sem alarde algum/
Pois quando se da conta/ de suas ausências/ pronto/
Simplesmente/ já se foram/ há tempos/
Simplesmente/ desapareceram/ completamente/
Sem nenhum bater de asas/insolente/
Sem nenhum solfejo estridente/ sequer/
Há quem diga até/ que é porque eles/ os passarinhos/
“ Morrem de flores/ e jamais de espinhos”...
Já li isso em algum lugar|! Ah/ se li!

-Ah! Pois é bem assim /como os passarinhos/
Que eu almejaria partir daqui/um dia/ para todo o sempre:
Sem assovio algum/ sem estardalhaço nenhum/
Sem sequer um bater asas /agoniadas/
Ainda que me sinta ave de arribação/ barulhenta!
Mas sei que/ na terra/ sou apenas pássaro /forasteiro/
Prestes a arribar/ a qualquer momento/ lá pras bandas
Do céu/ no dizer de Manoel de Barros!

-Ora/ se alguém perguntar por mim/ diga-lhe /simplesmente/
Que me fiz passarinho e espantei-me/ sabe-se lá pra onde/
Sem nenhuma pretensão de retornar /tão cedo/
Pois assim/ honrar-me-ão/profundamente/ a mim/ poetinha brejeiro/
Bem como ao passarinho que/ em minha alma/ vive a solfejar-me/
Alegres poesias/ singelas /sem nenhum constrangimento/sempre!

RELMendes  13/07/ 2016

 



sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Nhá Geralda do Cintra


(Uma refrescante “Vereda”, na minha nova estrada!...)



-Talvez /uma quilombola/
Mas... /Certamente/
Uma generosa mulher!
Nhá Geralda do Cintra
Mascava fumo de rolo...
E ia odorando /todo ambiente/
Por ela percorrido...
Com aquele /mal cheiroso/ odor.

-A querida /quera octogenária/
Se embiocava...
Numa quimbembe /mal iluminada/
Pela fraca luz de uma velha /absconsa/
E pra arrancá-la/ de lá/...
Ah dava o quê fazer!

-Após a sesta /do dia a dia/
Ela sempre era circundada por cunhas...
Que à sua porta fervilhavam.../aos montes/
Pra fuxicar... E se besuntar
De seus tantos conselhos...
Ora tão sábios... Ora tão espantosos.

-Nhá Geralda do Cintra
Era um “taquinho de gente”/
Um catatau  feminino!
Saltitava pelas ruas do Cintra...
- Que nem guariba assustado
Pelo fogo na mata -
Rumo à igreja onde rezava
Com certa frequência...

-No sovaco... /Nhá Geralda/
Sempre transportava /consigo/
Uma sombrinha/ esgarçada/
Como se quiçama fosse.
Chegava a ser até engraçado,
Mas... ai de quem dela /zombasse/
Por decerto /enfrentaria a fúria/
Da comunidade/ inteirinha!

-Analfabeta / Nhá Geralda/
Nem os xenxéns mensais/
Da aposentadoria / rural/
Bem os distinguia!...
Mas considerada era/ por todos/
Tesouro de sabedoria!

-Ao conhecer-me/ Nhá Geralda
Não hesitou/ em acolher-me
Como filho/ muito querido/
E diga-se /de passagem:
- O que a mim encheu-me
De imensa alegria!...

-Mas...numa manhã /qualquer/
Após um longo e aliviado /suspiro/
Voando rápida como um colibri /sedento/
Nhá Geralda do Cintra... /Serenamente/
Partiu lá pro alto da montanha/
Em busca da flor da Vida...
E...quiçá/ lá em cima /agora/
Esteja bem escondidinha...
Se rindo da gente...à beça.
Mas.../a bendita/ Nhá Geralda do Cintra/
Deixou-nos uma saudade... Infinda!

Montes Claros (MG),   22-11-2011
RELMendes

terça-feira, 29 de agosto de 2017

APACIENTAR-SE É O SEGREDO



Quem não trata de aquietar
Suas tempestades interiores
Não conseguirá amainar... Jamais!
Os contra tempos inevitáveis
Das tempestades exteriores.


Rel Mendes 29/08/2017

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Melindres Jamais


Quem se deixa conduzir por seus melindres/
Certamente não saberá degustar/ jamais/
As delícias /das surpresas de Deus /
Que /no mais das vezes/ se encontram/
Por detrás das coisinhas/ mais simples/
Que tanto enfeitam o jardim da vida!

Relmendes 15/08/ 2017


segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Bom mesmo é ser criança pra sempre



Quando eu era criança
Eu brincava como criança!

Mas o melhor/ mesmo/
É que antiguei-me/ por inteiro/
E continuo a brincar/ como criança!

Ah! Cá com meus botões/
Acho que terei /porque quero/
Um coração de criança/pra sempre!


Relmendes 07/08/2017

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O Amor é um bumerangue


Se queres Amor/ coragem/
Não sejas avarento... Jamais!
Antecipe-se em ofertar/ o teu Amor/
E verás que ele/ uma vez semeado/
Desabrochará ao teu derredor/ e afora/
E o aroma dele /exalado/ envolverá
A quem carece de Amor/ também!

RELMendes  29/07/2017