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terça-feira, 24 de outubro de 2017

DESPEDIDA FINAL



                  (Epitáfio)


-Eu quereria que ela/ minha despedida final/fosse singela
Como o são meus “versins” / despretensiosos/
Que ela/ minha despedida final/ fosse discreta
Como o é o desaparecer dos passarinhos
Que sempre partem/ sem alarde algum/
Pois quando se da conta/ de suas ausências/ pronto/
Simplesmente/ já se foram/ há tempos/
Simplesmente/ desapareceram/ completamente/
Sem nenhum bater de asas/insolente/
Sem nenhum solfejo estridente/ sequer/
Há quem diga até/ que é porque eles/ os passarinhos/
“ Morrem de flores/ e jamais de espinhos”...
Já li isso em algum lugar|! Ah/ se li!

-Ah! Pois é bem assim /como os passarinhos/
Que eu almejaria partir daqui/um dia/ para todo o sempre:
Sem assovio algum/ sem estardalhaço nenhum/
Sem sequer um bater asas /agoniadas/
Ainda que me sinta ave de arribação/ barulhenta!
Mas sei que/ na terra/ sou apenas pássaro /forasteiro/
Prestes a arribar/ a qualquer momento/ lá pras bandas
Do céu/ no dizer de Manoel de Barros!

-Ora/ se alguém perguntar por mim/ diga-lhe /simplesmente/
Que me fiz passarinho e espantei-me/ sabe-se lá pra onde/
Sem nenhuma pretensão de retornar /tão cedo/
Pois assim/ honrar-me-ão/profundamente/ a mim/ poetinha brejeiro/
Bem como ao passarinho que/ em minha alma/ vive a solfejar-me/
Alegres poesias/ singelas /sem nenhum constrangimento/sempre!

RELMendes  13/07/ 2016

 



sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Inhá Geralda do Cintra


(Uma refrescante “Vereda”, na minha nova estrada!...)

-Talvez /uma quilombola/quiçá?
Mas... /certamente/sem dívidas/
Uma generosa mulher/ muito â frente de seu tempo/
Inhá Geralda do Cintra/ encrenqueira/ à beça/
- Cintra/bairro /hoje/ central em Montes Claros -
Mascava fumo de rolo...sem parar/
E/ porquanto/ ia odorando /todo ambiente/
Por ela percorrido...em sua bagunçada /quimbembe/
Com aquele mal cheiroso odor/desagradável!

-A querida /quera octogenária/Inhá Geralda do Cintra/
Se embiocava...que nem tatupeba/emburacado/
Numa quimbembe /mal iluminada/ à beça/
Pela fraca luz de uma velha /absconsa/a querosene/
E pra arrancá-la/ de lá/...por qualquer motivo/
Ah/ dava o quê fazer!

-Após a sesta /de todo dia/nunca dispensada/
Ela sempre era circundada por cunhãns...desocupadas/
Que à sua porta fervilhavam.../aos montes/
Pra fuxicar...de todos. E se besuntarem/as pampas/
De seus tantos conselhos...cochichados/ ao pé do ouvido:
Ora tão sábios... Ora tão/ espantosamente/ absurdos.

-Inhá Geralda do Cintra
Era um “taquinho de gente”/insolente/
Um catatau feminino/ inquieto/ pacas!
Saltitava pelas ruas do Cintra...
- Que nem guariba assustado
Pelo fogo a incendiar a mata -
Rumo à igreja “Nossa Sra da Consolação”
Onde rezava /frequentemente...sem cessar/
Quer sol a pino/ quer chovesse/aos borbotões!

-No sovaco... /Inhá Geralda do Cintra/
Sempre transportava /consigo/
Uma sombrinha/ esgarçada/
Como se uma útil quiçama /fora.
Chegava a ser até/ muito engraçado!
Mas... ai de quem dela /zombasse/
Por decerto /enfrentaria a fúria/
Da comunidade/ inteirinha!

-Analfabeta / Inhá Geralda do Cintra/
Nem os xenxéns/ mensais/
- Da sua aposentadoria / rural/ -
Bem os distinguia ou os conhecia!...
Mas considerada era/ por todos/
Tesouro de grande sabedoria!

-Ao conhecer-me/ Inhá Geralda do Cintra/
Não hesitou/ em acolher-me/depressa/
Como um filho/ muito querido!
E diga-se /de passagem/ à língua solta:
- O que a mim encheu-me/sobremaneira/
De imensa alegria!...

-Mas...numa manhã /qualquer/à época
 Do deslanchar de nossa boa amizade/
Após um longo e aliviado /suspiro/
Voando /rápida/ como um colibri /sedento/
Inhá Geralda do Cintra... /Serenamente/
Partiu lá pro alto da montanha/celeste/
Em busca da flor da Vida...eterna/
E...quiçá/hoje lá em cima /agora/
- Embora/insolente como fora/constantemente/por aqui/ -
Talvez esteja bem escondidinha...lá no alto dos céus/
Se rindo da gente...às gargalhadas/ só de gozação!
Entretanto ...confesso/ sem nenhum constrangimento/
Que a bendita/ tal Inhá Geralda do Cintra/
Deixou conosco/por aqui/ uma saudade... Infinda!

Montes Claros (MG), 22-11-2011

RELMendes

terça-feira, 29 de agosto de 2017

APACIENTAR-SE É O SEGREDO



Quem não trata de aquietar
Suas tempestades interiores
Não conseguirá amainar... Jamais!
Os contra tempos inevitáveis
Das tempestades exteriores.


Rel Mendes 29/08/2017

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Melindres Jamais


Quem se deixa conduzir por seus melindres/
Certamente não saberá degustar/ jamais/
As delícias /das surpresas de Deus /
Que /no mais das vezes/ se encontram/
Por detrás das coisinhas/ mais simples/
Que tanto enfeitam o jardim da vida!

Relmendes 15/08/ 2017


segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Bom mesmo é ser criança pra sempre



Quando eu era criança
Eu brincava como criança!

Mas o melhor/ mesmo/
É que antiguei-me/ por inteiro/
E continuo a brincar/ como criança!

Ah! Cá com meus botões/
Acho que terei /porque quero/
Um coração de criança/pra sempre!


Relmendes 07/08/2017

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O Amor é um bumerangue


Se queres Amor/ coragem/
Não sejas avarento... Jamais!
Antecipe-se em ofertar/ o teu Amor/
E verás que ele/ uma vez semeado/
Desabrochará ao teu derredor/ e afora/
E o aroma dele /exalado/ envolverá
A quem carece de Amor/ também!

RELMendes  29/07/2017


terça-feira, 1 de agosto de 2017

Estultices de um Cordeleiro



-Há! Quando eu crescer... Podes crer:
Vou criar asas /de Passarinho/
E voar... Voar / pelo mundo/ afora/
Mesmo até/ ao incendiar-se o Crepúsculo/
Ou ainda.  Ao achegar-se / a Noite vadia/
Mas/ sobretudo/ voarei /inconsequentemente/
 Ao acordar-se/ esplendoroso// o Dia!

-Há! Quando eu crescer... Podes crer:
Vou voar... Voar sozinho/ ou aos Pares/
Ou mesmo/ quiçá/ aos bandos//
A versejar melodiosos/ Poemas/
Que/ por si só / solfejarão... Poesias!

-Há! Poesias/ em todos os Tons Musicais:
- Dó... Ré... Mí... / Fale-me /por favor/
- Si...ou melhor/  se isto é viável /
- Ou se é /tão-somente / Poetices/
De um / estabanado /Cordeleiro
A rascunhar suas /palatáveis/
Estultices Poetosas/  hein?


RELMendes 20/01/2017