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terça-feira, 19 de julho de 2016

Lúcia...

( um sonho primaveril!...)

-Subitamente...
A sala toda se iluminou, 
E como que do nada
Ela apareceu radiante
E esfuziante
Como o alvorecer...

-Bastou-me apenas o soar
De um simples cumprimento dela
Pra que eu me envolvesse...por inteiro,
Num intenso clima de sedução...

-Então...não hesitei!
Encantado.....
Ofertei-lhe a passarela
Dos meus sonhos
Para que...nela,
A desfilar faceira...
Fizesse-me derramar pleno
De sublime fascinação...

-O espelhar de seus lindos olhos...
Verdes ou azuis,
( não sei bem definir),
As suas mechadas madeixas loiras...
E o seu magnífico porte
De saborosa potranca
(Ah, meu Deus!)
Já justificavam o seu esbanjar...supremo,
De tanto encantamento...

-Ela era...e quiçá ainda o seja,
Uma "nouveau riche" extravagante:
No falar, no agir,
E em seu modo... ora terno, ora agressivo,
De gostar ou de amar enfim...
Era verdadeiramente um diamante bruto,
- Lá de Andradina...interior paulista -
Que jamais se deixava lapidar por ninguém...

-E porquanto...Lúcia...ainda hoje,
Faz-se tão forte lembrança em mim...
Que chega até a iluminar a praça da apoteose
De minha desvairada imaginação...
E como nem a batuta do tempo
Conseguiu dissipar... sua tão bela presença,
Do baú de minhas recordações...
-Que insistem em preservá-la
No âmago do meu ser enfim -
Então, eu lhe fiz esses versos...
Para que...se os lê,
Saiba que eu nunca a esqueci...



Montes Claros(MG), 05-01-2012
RELMendes

sábado, 16 de julho de 2016

Queixumes de um forasteiro


-Olha só:
Embora outro interesse
Eu não o tenha...
Senão o de espiar
Bem longamente
O que há de belo
Nas veredas
Dessas bandas de cá...
Mas mesmo em assim sendo,  
Cá...por estas plagas sertanejas,
Sou apenas um forasteiro
Peregrino...
Sem espaço algum
Nas varandinhas floridas
Das vivendinhas
Dos desconfiadíssimos nativos
Dessa região tão bela...

-Olha só:
Entretanto...não obstante,
Quer queiram ou não...
Matutamente,
Contemplei e ainda contemplo  
Encantado:
- A belezura de suas lindas cunhatãs
Cheirosíssimas...
- O garbo encantador de seus catopés
Rodopiantes...
- A graça inenarrável de seus caboclinhos
Saltitantes...
- O sapateado...compassado e forte,
Da marujada festeira
Garbosíssima...

-Olha só:
Matutamente...
Ouvi e ainda ausculto,
Enternecido:
- Os cantares melancólicos
Das noturnas serestas
Maviosas...
- O belo som dos acordes
Das violas plangentes
Apaixonantes...
- O dedilhar sublime das divinas mãos
De Raquel Crusoé...que ao piano
Embala-nos a alma embevecida  
Com seu brincar de sons
 Inebriantes...
-O solfejar enternecedor  
De Beatriz Azevedo
Que ao infinito nos conduz
Fascinados...

-Olha só:
Matutamente,
Deliciei-me e ainda delicio-me:
- Com um farto prato de feijão tropeiro,
 Saborosíssimo!...
- Com um farto prato de arroz
Com pequi e carne de sol,
Apetitosíssimo...
- Com uma gamela cheinha
De pão de queijo quentin...quentin,
Gostosíssimos...

-Olha só:
Matutamente,
Inebriei-me e ainda inebrio-me
- Com seus alvoreceres dourados
Belíssimos...
- Com seus crepúsculos incandescentes
Maravilhosos...
- Com suas noites bordadas de estrelas
Encantadoras...
- Com o clarão de seus luares
Prateadissímos...
 
Ara! Incontáveis outras belezuras
Desse encantador sertão amado
Eu ainda as teria à beça
Para contar-lhes, sem pundonores algum...sô!
Entretanto...hoje não,
Hoje não escreverei mais nada...
Nem tampouco me queixarei
Mais de coisa alguma,
Porquanto... tal façanha,
Eu só pretendo fazê-la 
Só depois de amanhã... ora!     

Montes Claros (MG), 21-11-2011

RELMendes

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Nascente Lacrada

( Só de mentirinha viu?!)



-Ah! Só voltarei a tecer poesias
Poemas e versinhos singelos...
Se acaso eu puder ver:
-A esperança despertar, novamente,
-A desconfiança ser banida da face da terra...
-A alegria suplantar a tristeza...
-A Verdade e o AMOR
Financiarem a JUSTIÇA...

-Porque...neste exato momento,
Eu só quero apenas:
-Curtir estrelas...resplandecentes,
-Palmilhar trilhas...desconhecidas,
Ignoradas...ou, quiçá, até estranhas...
Mas sempre enluaradas de alegria,
Polvilhadas de muita esperança
E de uma ternura sem fim...
E por fim, embalar-me-ei nos braços
Dos meus transcendentais sonhos...
E flutuaremos eu e eles os sonhos
Sobre nuvens e nuvens de algodão doce.

-Ah! Mas se por acaso...
Eu ainda vier a tecer meus versinhos...
Tenham por certo, que só tecerei:
-Versos insolentes...
Daqueles que descortinam..
Despudoradamente,
O desabrochar secreto
Das margaridinhas silvestres...
-Versos abusados...
Que descrevam, sem pundonores algum,
O contorcer dos girassóis
Em busca de sol a pino...
-Versos corajosíssimos...
Que proclamem...em alto e bom som,
O valor sublime da liberdade...
Que certamente para mim
É um dos caminhos da felicidade...
E tenho dito!...

Montes Claros (MG), 03-05-2009
RELMendes

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Sou Bocó...e não nego!


-Tateio as ilusões do ontem
Do hoje e do por vir...
Resvalando-me em estrelinhas
Que alumiam-me a mente de passarinho
Que...ainda em mim há, e sempre haverá...
E voo acima dos ciscos do percurso
Que tentam enfear-me ou fusquear-me
Os alvoreceres radiantes sem paredes...
Os luares argentosos a alumiar horizontes...sem fim,
E os sonhos pululantes de um poetinha Bocó
Que se encanta com a simplicidade
Que sempre se despeja...abundantemente,
No acontecer de cada dia...
Só pra encantar-lhe a alma de Bocó...

-Sou totalmente Bocó...ara!
Assumidamente Bocó...
Porque...acrescento-me de criança brincante
E de um punhadinho de passarinhos
Que conversam...entre si, bobagens...
Mas encantam a quem os ouve solfejar
Suas maviosas oralidades musicais...

-Portanto, escovo-me...sorridentemente,
E estimo-me...profundamente,
Do esgar daqueles que insistem                                  
Em não serem BOCÓS...
Privando-se assim de descobrirem
Serem as tardes parte do haver
Das belezas dos dias...
Ora!... Mas enfim, ninguém é obrigado
A ser Bocó, pois não?!

Montes Claros (MG), 18/05/2016

Romildo Ernesto de Leitão Mendes (RELMendes)

quinta-feira, 30 de junho de 2016

A desforra de um pirralho peralta

(Ainda hão de se ver comigo...ora!)

-Quero porque quero 
Meus soldadinhos de chumbo pô! 
Ah, se os quero!

-Ah! Por causa deles lancei fora preciosas lágrimas...
Lágrimas extraídas da falsa ou real sensação
De terem relegado, meu sonhozinho, ao léu.

-Chego até a pensar
Que minhas traquinices poéticas
E essa minha louca euforia brincalhona
Tenham suas origens ai
Nesses melindres infantis 
Que, em mim, aninham-se n’alma.

-Ora! Ao lembrar-me que os avôs não me deram 
Aqueles lindos soldadinhos de chumbo...
Que, na época da infância,
Eram o sonho de toda criança,
Ah! Fico aborrecidíssimo...pô! 
E, até melancólico, sô!
É como se os avôs me tivessem destroçado a alma.
(Ah! Gruniram, assim, os avós rabugentos:
Que menino birrento!)
Ora! Mas, a época, quem ousaria contradizê-los? 
Portanto, ainda hoje, culpo-lhes de terem me lesado
O direito de eu realizar o meu tão encantador sonhozinho:
Brincar...e brincar muito
Com aqueles lindos soldadinhos de chumbo, 
Ora, pois, pois!

-Ora, mas qual o quê! 
Não hesitei, então, em dar-lhes o troco!
Como não codifiquei bem o “não sei o quê”
Da bendita justificativa deles (avós),
E já que tinham devassado a minha sedutora ilusão pueril
De brincar e brincar, por horas e horas a fio,
Com aqueles benditos soldadinhos de chumbo,
( por causa dos quais, ainda hoje, planje-me a criança 
que em mim se esconde...)
Pus-me então a buscar...ainda que contrariado,
Outros brin-que-di-nhos também lú-di-cos
(talvez não tanto quanto aqueles, ou, quem sabe até mais!)
Pois, assim ansiava o meu coração contrariado
De pirralho birrento...e danadinho...ara!

-Portanto, no intuito de ressarcir-me dos inimagináveis prejuízos,
Reinventei, então, novas pa-ra-fer-ná-lhas lúdicas, tais como: 
-Furtar siriguelas nos pomares da vizinhança; 
-Olhar por debaixo das saias das meninas e, também, 
das velhinhas rabugentas;
-Soltar pipas coloridas e puns fe-di-dís-si-mos... 
(perto das visitas...ora!);
-Ouvir música na galena velha do vô, e escondê-la do velhinho; 
-Bolinar a cozinheira desprevenida, só pra aborrecê-la; 
-Atirar pedras na casa dos visinhos, só pra contrariá-los; 
-Jogar peladas nas ruas por horas a fio
-E atirar pedradas ao léu, e, dai por diante...

-Ah! Tentaram roubar de mim os meus sonhozinhos, né?
Pois, então, dei-lhes, também, esse banho ai de peraltices,
E, logo em seguida, evadi-me...lá pro topo da lua!

Montes Claros (MG) 15-04-2024
RELMendes


quinta-feira, 23 de junho de 2016

A BELEZA LÚDICA DA INFÂNCIA D´ OUTRORA

(tudo era puro contentamento!)


-Do meu veloz patinetezinho  amarelinho
a se precipitar rapidamente ladeira abaixo,                                           
Eu sempre saboreava...alegre e contente:
-Os vaivens de crianças curiosas,
-Os vaivens de olhares surpresos...
advindos de velocípedes lentos
a se locomoverem em minha direção,
-Os vaivens de olhos abismados...
 a me espiarem de suas bicicletas rápidas
que derrapavam sobre pedregulhos roliços,
E, também, eu saboreava vaidoso...
-Os vaivens de olhares de adultos invejosos...
a me espiarem...de esguelha,
das esquinas de suas curiosidades
e dos desvãos de suas saudosas infâncias.
                         
-Ah! Esses vaivens da infância d’outrora...
sobre as rodinhas de um patinetezinho amarelinho,
Eram pura satisfação de viver alegre. 

Montes Claros (MG), 03-06-2014
REL Mendes

sexta-feira, 17 de junho de 2016

A FLOR- ANGÉLICA DO SERTÃO


Madre Maria Angélica ocd

     (Um belo exemplo de Fé!)

Carinhosamente...
Convido-lhes a trilhar...comigo,
Pelos caminhos de minha eterna gratidão
A essa amada Flor-Angélica do Sertão...
Então, vamos lá ver...
O que tenho a lhes dizer:

-De donde será que a nós veio...
A Flor-Angélica-Sertaneja,
Esse ser humano...tão luminoso,
Tão profundamente feminino,
Tão sabiamente acolhedor,
Tão imensuravelmente maternal...
E tão aparentemente frágil...quase-etéreo,
Que...inebriado de “Divino Amor”...
Sempre a todos encanta e ilumina
Com seu suave sorriso...
E seu materno olhar?

-Bom! Se verdadeiramente assim é, e é...
Então, revelar-lhes-ei...em prosa e versos,
Outros tantos ternos detalhes
Do semblante espiritual
Dessa santa mulher :

-Donde poderemos encontrar
Esse anjo-mulher-sertaneja...
Tão fértil...espiritualmente,
E de tão límpida transparência...espiritual,
Que a nós todos cativou...
Logo em que por aqui chegou
Com suas santas companheiras...
Naquele já tão distante dia...
Em que até um belo crepúsculo sertanejo
Com ela se deslumbrou?

-Ah! Se por ventura aqui há alguém...
Dentre nós...que saiba de onde ela veio,
E aonde tão bem se esconde...
Essa bendita dádiva tão celestial...
Por favor, que se apresse em nos revelar,
I-M-E-D-I-A-T-A-M-E-N-T-E!

-Pois, se de pronto...ao chegar aqui no sertão,
Esse amado anjo carmelita...logo se aninhou
Em nossos acolhedores corações sertanejos ,
Também de pronto desejamos saber
Donde ele, esse anjo carmelita, veio,
Onde pousou...e aonde...verdadeiramente,
Montou entre nós sua tenda de ternura...

-Mas quem será mesmo...
Flor-Angélica-Sertaneja,
Essa tão amada flor desse sertão sofrido...
E, em que jardim, ela mesma se plantou
Pra nos sombrear com as “surpresas se Deus”?

-Bom!... Há quem diga que ela veio...
Das entranhas das surpresas de “DEUS”;
Outros afirmam...veementemente,
Que ela procede do “Coração Misericordioso de Jesus”;
E outros ainda falam que veio diretamente do “Céu”...
Pra nos consolar e nos conduzir rumo à “Casa do Pai”...
-Entretanto...verdadeiramente, há que se dizer:
Quer por isso...ou quer por aquil’outro...
Flor-Angélica-Sertaneja  veio
Para o meio de nós,
Para que...com suas constantes orações,
Deus não nos permita que nos percamos
Pelas trilhas...sinuosas,
Desse nosso breve caminhar terreno...
-E quanto aonde se plantou por aqui...
Essa tão amada flor sertaneja,
Ora! Digamos que ela mesma...
Se plantou nos sagrados jardins
Do “Carmelo de Teresa”...
Para perfumá-los ainda mais de amor...
E pra inebriar...de felicidade e alegria,
Seu “Amado Senhor Jesus”...
Que sempre vem por ali repousar...
 No coração apaixonado de sua Angélica-Flor...

Montes Claros (MG), 07-05-2014
RELMendes