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quinta-feira, 6 de abril de 2017

O velho o sonho e a Serra

(lembranças são janelas abertas ao passado!...)



Quando...vez por outra, A brincar
O sol se esconde
Nas embaçadas tardes de outono...
O velho busca se aliviar do calor
Na fresca e sossegada varanda de sua vivenda.
Então se escancha em sua desgastada
Espreguiçadeira e... Por horas a fio:
- Se balança e cochila
- Cochila e se balança...sem parar,
Perdido em gratas lembranças que tempo
Não fez a mínima questão de as apagar.

Com olhar perdido...no tempo,
A degustar lembranças alvoroçadas
Em sua excelente memória...
Ressabiado... Por nada deste mundo,
O velho nunca as revela a ninguém.
Só as sussurra consigo mesmo
Muito abismado de surpresa:

- Ah! Lembranças... Lembranças...
Cada uma mais saborosa que a outra.
- Mas enfim, será pra onde elas me levam
Vez que sempre me arrastam...ao pretérito,
Após cochilos e mais cochilos?
- Ah! Nas asas delas alço voos de juventude
E lá de cima... Vislumbro:
- Serras de sonhos... Montes de utopias...
E belas Campinas de juvenis delírios.

Então, num sussurro quase angelical...
O velho a si mesmo responde:

-Ora, meu velho!
Elas seguem...lá no passado,
As tuas jovens pegadas...
Que certamente...sem hesitarem,
Levar-te-ão determinadas
Ao topo da exuberante
“Serra da Piedade”...
- Onde repousaste...um dia,
Tranquilamente... A cabeça,
No acolhedor colo materno
Da “Padroeira de Minas”...
-Onde contemplaste... Ao amanhecer,
Logo após a Oração das Matinas...
O avançar ligeiro da sombra da Serra,
Que altiva se derramava
Sobre a Belo Horizonte...
A linda capital das Minas!

Então o velho saudoso balbucia ainda:

- Oh! Quão formosa és tú, Ó amada Serra!
Serra...onde vivi a doce saga
De repensar...mais uma vez ainda,
O meu fantasioso sonho juvenil
Em fazer-me um recatado mongezinho
Que nem sequer seria percebido...
Aos olhos malvados desse mundo banal.
Entretanto... Chutei o balde
Chutei a bola...na trave,
E tomei outro rumo...ora!

De repente...
Uma voz estridente ecoa
Lá da cozinha...
E trinca o encantamento
Do sublime devaneio:

- Véio! Ô veio!
- Vem logo tomá o café!

Então...aborrecidíssimo,
O ancião sonhador esbraveja:

Ara! Não quero ser perturbado agora!
Espera só mais um pouquinho!...
Só levantar-me-ei dessa espreguiçadeira
Depois de degustar...uma a uma,
Todas as lembranças das coisas
De minha saudosa juventude
Que o tempo levou pra sempre
E não voltará... Jamais,
Nem que a vaca tussa!

Montes Claros, 26-04-2012
RELMendes


terça-feira, 4 de abril de 2017

O meu Recanto encantador



É uma casinha limpinha...
Toda caiadinha de azul celeste
E sombreadinha por um lindo pé
De Flamboyant...em flores.

É por isso mesmo que para lá
Eu sempre volto rapidinho
Logo ao chegar o crepúsculo...
Em busca de aconchego muita Paz 
E de um bom descanso reparador,
Pois só nele eu posso encontrar
Tudo isso a cântaros!

RELMendes 17/01/2017


domingo, 2 de abril de 2017

Surpresas do meu jardim



As clépias as rosas as camelias e os buganviles
Do meu jardim desabrocharam aos montes
E as borboletas e os colibris valseiam sem cessar
Em suas pétalas amarelas brancas ou lilás  
Enchendo-me os olhos de encantamento
E o coração regalado de inenarrável Alegria...


RELMenmdes 01/04/2017

sexta-feira, 31 de março de 2017

Salvemos o ecossistema, senão babau



Olhos rasgados
Puxados
Arreganhados
Arregalados
Esbugalhados
Desconfiados
Ameaçadores
Curiosos à beça

Bicho do mato
Feroz
Felino topo
Da cadeia alimentar
Pulma... Onça pintada
Ou Pantera
Não importa qual
O seu nome ou espécie
Eles os bichos do mato
Precisam continuar
A viver para o nosso bem
E do ecossistema, também!

Bicho do pantanal
Ou do Sertão agreste
Comedor de anta peixe
Jacaré paca cutia tatu-peba
De há muito refém
Da ignorância humana
Está prestes a desaparecer
Dos nossos biomas maltratados
Por favor: - Salvemo-lo da extinção
Enquanto é tempo!

REMendes 03/03/2017


quinta-feira, 30 de março de 2017

QUIMERA/ quase um nome de mulher

À minha filha Tatiana


-Ah/ degustei n’alma muitas quimeras!
Mas quase todas/oh/eram apenas
Um punhado de utopias/irrealizáveis/
E nada mais/ enfim!

-Mas ela/ minha Quimera-menina/
Era um grãozinho de Esperança
A decorar/ todo dia/ de alegria/
O jardim de minh’alma sempre feliz/
Desde seu desabrochar/em minha vida/
Toda sorrisos... Vivacidade/
E plena de matreirice/ jocosa!

-Seus olhos/ah/ seus olhos eram/
E ainda o são/pura alegria a valsar/
E de discutível inocência/também!
Mas eles/ seus olhos/brilhavam/ brilhavam/ à beça!
Ou melhor: - Cintilavam/ Lampejavam/sem cessar/
Como se fora estrelas cadentes a rasgar os céus/
Brincando de pirilampos/ em noite de luar!

-Ah/ minha Quimera-menina não era /tão-somente/
Um simples fruto de minha fértil imaginação não!
Ela/ minha Quimera-menina/é/ foi/e sempre será/
Uma pessoa linda/ valente/ e/totalmente/destemida/
Pois desde muito pituchinha se impõe /altaneira/
Como quem sabe que é gente capaz de escolher
Seus próprios quereres!

-E/por isso mesmo/ ainda hoje/ela/
Minha Quimera-menina/ alumia-me a alma
E o meu peito/ assaz/ lembrador/
Que muito plangem/ de saudades dela!

-Para mim/ela/minha Quimera-menina/ muito amada/
Era/ é/e sempre será/ a própria face/lampejante/
De um futuro/assaz/ promissor/por demais/
- nem sempre pude acompanhar /o passo a passo/
De seu encantador acontecer/ em plenitude -
Pois sua inteligência/assaz curiosa e sagaz/
Desde bem cedo se deu a perceber...a olhos vistos/
Sem/ contudo/ se fazer de arrogada... Jamais!

-Hoje/ porém/ minha Quimera-menina/tão amada/
Após desabrochar-se /em Quimera-moça/bonita/
Fez-se uma bela e batalhadora mulher-mãe/amorosa/
De dois bons e belos jovens/ estudiosos/
Para o deleite de todos nós que a amamos/
Demais da conta sô!

RELMendes  30/03/2017


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Coisas que não foram



São aqueles momentinhos
Que...por algum motivo,
Não os colhemos...em plenitude,
Lá no pretérito!

Quiçá, porque...desatentos,
Perdemos no tempo o trem
Em que viajavam...
Pra não voltar... Jamais!

E cá ficamos nós, hoje,
Atabalhoadísissimos
Sem saber o que fazer
Com a saudade infinda
Das oportunidades perdidas
Que não se terá... Jamais!

RELMendes 13/11/2016

domingo, 6 de novembro de 2016

Um ancião peregrino montou sua tenda em Vinhedo... Até voltar à casa do “Pai”!


(Dom Joaquim de Arruda Zamith OSB) -
)
   (1924 - 2014)


-Cantar em versos, quer em poema ou crônica,
lembranças vivas de uma boa e santa amizade
Como a de D. Joaquim, tesouro divino com o  qual
o “Senhor”...surpreendentemente, um dia, me agraciou
por mais de meio século de minha existência...
para me alumiar o percurso da travessia dessa vida
rumo à casa do “Pai”...é desnudar pelo mundo afora
a imensa gratidão sentida pela vida desse bom
e santo amigo, que não pretendo esquecer jamais,
nem bem devagarinho...

-Ah! Verdadeiramente... a voz dessa mesma gratidão
impele-me a dizer, no momento, que além da luz
que esplendia abundantemente da “Sabedoria”
de seus generosos conselhos, quando pedidos,
outros tantos dons e carisma enfeitavam, também,
a alma gentil desse santo homem de Deus:

- Nesse bom e santo amigo...não havia dolo algum,
nem nada de humanos desvarios, tampouco,
vez que estes desconhecem o reto caminho;
- ele era o bom e santo amigo de muitos amigos;
- ele sempre transbordava de santa alegria...
quer estando triste ou contente;
- ele era singularmente pródigo...
na caridosa arte do acolhimento;
- ele...no silêncio de sua cela,
sempre partilhava com Deus a dor do amigo sofrido,
que, por algum motivo, perdera os melódicos
acordes da vida...

-Habilidossísimo...  o bom D. Joaquim
sempre dava cadência serena
aos aborrecimentos do cotidiano
porquanto...cuidadosamente, os dissipava sempre
com sua santa paciência que desde jovem a burilava,
no dia a dia de sua vida monástica...

-Esse santo intelectual amigo...
em sua amada cela monástica,   
ao longo do tempo de sua fértil vida religiosa...
habilidosamente ia colhendo, em fartas porções,
através da escuta da obediência e da oração persistentes
os sabios ensinamentos da Santa Regra de Bento.
                         
-La no “Mosteiro de São Bento” de São Paulo, 
o justo Joaquim exercera, dentre tantas funções,
o oficio de abade...
(que é ser de todos...o maior servidor,
na comunidade pastoreada...)
e ao se tornar abade emérito, o sábio ancião peregrino
Prosseguiu generosamente a cultivar as amizades
que amealhara durante o longo e fecundo
trajeto de sua vida tão espiritualmente fértil...

-À sombra dessa abençoada amizade...
que carinhosamente chamo de  relva de ternura,
eu e tantos outros filhos espirituais, dele,
encontramos a referência segura
para permanecermos firmes...ainda hoje,
no tão decantado e reto caminho
do “Amor Divino” que...certamente,
nos conduzirá à casa do “Pai” !

-Até breve...meu santo e iluminado... Amigo!

(Mt 5,14-16)
Montes Claros (MG), 17-05-2015
RELMendes