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domingo, 15 de maio de 2016

Não sei nada de nadinha!


E verdadeiramente, quiçá,
Nunca saberei nada...
Ah! Penso que tampouco
Faço a menor questão de saber.
Senão, que certas coisinhas...
Amor, paixão, compaixão
E ternura...
Estas..só as degustamos
Ou as sentimos...tão-somente,
Com a sabedoria do coração.
E isto, basta-me!

Montes Claros (MG) 15/05/2016

Romildo Ernesto de Leitão Mendes ( RELMendes )

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Um olhar sob o ocaso da vida


- Ora!... Ora!... Ora!...
Cá entre nós, e tão-somente entre nós:
Pois num é que o tempo passou e passou célere
E eu nem sequer me apercebia disso...
Quiçá, porque eu o gastava...sem avareza,
Em semear...por onde caminhei e caminhei...
Sonhos e mais sonhos a cada amanhecer.
E, pois num é que...por onde eu os semeei,
Desabrocharam sorrisos e mais sorrisos esperançosos!

- Será por que, hein?
Ah! Quiçá, porque orvalhei os caminhos percorridos
Com o verbo esperançar, né não?!
Verbo esse que pouquíssimos, mas pouquíssimos mesmo,
Ousam decliná-lo...com satisfação,
Vez que requer: Labuta, determinação, disposição Persistência...transparência...“parrésia”enfim.
Ah! E, sobretudo, um punhado substancial
De “COMPAIXÃO”...
(Sentir com as vísceras o sofrimento do outro)
Sentimento nobilíssimo,
Porquanto fruto da generosidade interior
Que, tão-somente, as almas gentis o possuem...
E o possuem pra enfeitar...e enfeitar com galhardia,
O lindo jardim da vida...verdinha verdinha...ara!
- Isto pra mim é vida a pulsar...ora!

-Entretanto, como quem está vivo...
Eu também teria de vivenciar
A iminente velhice...que sorrateiramente,
Foi se achegando a mim...sem economias,
Porquanto tive, e continuo a ter, o privilegio de viver
Embriagado de vida verdinha verdinha
Isto já por mais de sete (7) décadas e meia...ora bolas!
Portanto, nada contra a velhice ou o longo viver...
Vez que viver é bom demais da conta, sô!
Mas a mim só me parece que, vez por outra,
Ela, a velhice, anda muito mal acompanhada:
-Hipertensão...
-Reumatismo...
-Diabetes Mellitus II etc etc
- Isto pra mim é vida a pulsar...ora!

Mas, em compensação, a temida velhice
Oferta-me horas a fio pra eu degustar
Coisinhas simples que tanto me aprazem:
- Amanhecer-me antes do despertar do sol
Para extasiar-me com o alvorecer incandesceste
Desse amado sertão e deliciar-me com a cantoria
Da passarada louvando o novo dia que se deixa acordar...
- Isto pra mim é vida a pulsar...ora!
- Ir a pés em chão bem cedinho á padaria
Pra jogar papo fora com a vizinhança tagarela
Que não perde a oportunidade de debulhar
Todos os dias as mesmas potocas de sempre.
Ah! Perco-me em risos...ara!
- Isto pra mim é vida a pulsar...ora!
- Sentar-me à varanda...logo após o anoitecer,
Porquanto lá é donde posso serenamente contemplar
O lusco-fusco das estrelas a implicarem
Com o clarão desvairado do luar...
- Isto pra mim é vida a pulsar...ora!
- Arrefecer-me ouvindo uma música qualquer
Não importa qual!
Venha de onde vier...de preferência
Solfejada pela bela voz de Beatriz Azevedo!
- Isto pra mim é vida a pulsar...ora!
- Deixar-me balangar e balangar
Nas asas das boas recordações adormecidas
Mas nunca esquecidas,
Lá nos desvãos de minha gratidão...
Pois elas sempre enfeitam meus versins...
- Isto pra mim é vida a pulsar...ora!
- Porquanto hoje eu tenho tempo de sobra...
Aprecio muito escutar a zuada das crianças
A brincar na rua sob a clarabóia da lua...
E também me fascina auscutar
Pálido de espanto...
Os sussurros apaixonados
Dos enamorados a se lambuzarem de carícias
Sob a marquise de minha varandinha...
Ah, se gosto!
- Isto pra mim é vida a pulsar...ora!

- Ah! Por fim, não abro mão...em hipótese alguma,
De um cafezin quentin feito na hora...
Nem de uma farta bandeja de pães de queijo
E de biscoitinhos amanteigados feitos pela vizinha
Nem tampouco dos meus queridos amigos (as)
Do indescritível Facebook...
- Isto pra mim é vida a pulsar...ora!  

Romildo Ernesto de Leitão Mendes ( RELMendes)

Montes Claros (MG) 29-04-2016

quinta-feira, 3 de março de 2016

Perambulando quimeras... (ao clarão do luar...ora!)

Entre mim e a lua
há uma cumplicidade
de deixar qualquer um
completamente
boquiaberto...

Ela clareia-me... de luar,
os passos incertos e indecisos,
e todos os meus avessos secretos...
- pelas ardilosas trilhas
da noite fantasiosa –
Eta lua malandrinha!

E eu... equilibrista das buscas
de ir mais um “cadim” além...
sempre, enluaro-me de luar...

E... quando totalmente
embevecido
com seu argento clarão...
deixo-me flutuar
em sonhos infantis:
pé aqui, pé ali...                               
um balangar aqui
e outro lá acolá,
uma escorregada cá,
outra resvalada por lá...

Mas... se precisar evadir-me
mais um “cadim” ainda,
não hesitarei em bater asas
e voar...voar...voar...

Ah! E voar até aonde
o menino passarinho
- que em mim esplende -
e suas eufóricas fantasias pueris
queiram me levar
pra orvalhar-me de quem dera’s !

Montes Claros (MG), 02/09/2014

RELMendes 

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Se você quiser, eu lhe conto!

Apenas uma reflexão séria! 
Hoje em dia só não sabe das coisas quem deliberadamente não quer saber.
-Pois, ultimamente, temos tido a fantástica oportunidade de nos informarmos, sem dificuldade alguma, sobre quase tudo do que se passa no vastíssimo universo do conhecimento humano e científico.

-Isto porque, sobretudo nesse então em que vivemos, as “medias” - como se diz no português de Portugal - têm sido sobremaneira generosas - até demais da conta – vez que com esse “tsunami” de informações que elas, as “medias”, hora nos fornecem, tomamos, facilmente, conhecimento de coisas, coisinhas e coisonas que outrora eram restritas
 tão-somente ao âmbito do conhecimento dos “experts” nos determinados assuntos, mas isso agora  findou.
Pois, hoje em dia, graças a elas, as “medias”, seja qual for o tema ou assunto, ele se disseminará imediatamente entre nós pobres mortais.  Pobres mortais, porquanto leigos em muitos assuntos. Assim, então, elas, as medias, nos dão a oportunidade de termos um tiquinho de conhecimento sobre muitas coisas que, até então, eram totalmente desconhecidas por nós.

-Portanto, confesso, sem pundonores algum, que vez em sempre me deixo seduzir por alguns assuntos com os quais elas, as “medias,”  me abarroam a mente de curiosidades, sem pena nem dó. Essa abusada e santa insistência de todos os meios de comunicação quererem de qualquer forma  publicizar tudo a todos, é para mim preciosíssima e muito bem-vinda.
Pois, sou muito curioso...ora! E em o sendo, o que sei já sei! E o que não sei desejo muito sabê-lo!

-Então, vamos lá! De há dois ou três anos pra cá, devido à insistência das “medias” em publicizar a noção de psicopatia e psicopatas, procurei me inteirar sobre o tal assunto em sites especializados e em entrevistas dadas, por “experts” no assunto, em programas como o “Sem Censura” de Leda Nagle, o“Consulta ao Doutor”  da RIT, e o “Encontro” da  Fátima Bernardes...
Então, descobri algumas coisinhas horripilantes acerca do assunto que penso serem de utilidade pública.

-Segundo a unanimidade dos entrevistados e dos sites pesquisados, a “psicopatia” não é doença. Tanto é que sequer consta no CID10 da OMS. Portanto não há como se tratar de um ou uma psicopata. Porque não sendo doença não há tratamento algum.
O psicopata nasce psicopata e morrerá psicopata. A psicopatia se desenvolverá nele a partir de 12 ou 13 anos de idade. E por onde ele passar deixará sempre um rastro de destruição. Tanto é que, no Canadá, quando presos, e diagnosticados como tal,  os psicopatas são colocados em prisões especiais para não acirrarem, com intrigas e outros defeitos de caráter que lhes são peculiares, a fúria e a rebelião dos criminosos comuns. Como vêem é um caso seríssimo. Não há como se entrar em acordo com um ou uma psicopata.
Quem puder, fuja de perto!
Quem não puder se livrar sozinho, peça socorro!    

-O psicopata ou a psicopata está mais próximo de nós do que imaginamos: - Em nossa casa, na casa do vizinho, no nosso trabalho etc etc etc... É preciso, entretanto, que se esclareça aqui, antecipadamente, que tão-somente psiquiatras e outros “ experts” habilitados no assunto, através de uma bateria de testes científicos, têm competência bastante para dar um diagnóstico seguro. Diagnóstico de leigo, nesse assunto, é balela sem fundamento.

- Guisa de curiosidade, mencionarei aqui algumas características de um ou uma “psicopata”:

-Eloquência: - Fala demais...porque acha que não tem que escutar nada, vez que não tem mais o que aprender.
Mas, cuidado! Pois nem todo tagarela é um psicopata. 

-Egocêntrico: - Porque só pensa em si mesmo. Para ele as outras pessoas são apenas objeto de sedução e de manipulação para atingir seus PERVERSOS objetivos macabros....

-Mentiroso por excelência: - A ponto de ser chamado, no ambiente jurídico, de o enganador de juiz... Quando desmascarado, fica feroz. Perigo à vista! 

-Sedutor: - Mascaram-se sempre, de bom rapaz ou boa moça; inflam-se de gentilezas e delicadezas ao aproximarem da próxima vítima ou vítimas...

-Manipulador: - Não hesitam jamais em surrupiar, das vítimas, tudo que possuam, quer espiritual ou material... Os psicopatas, portanto, são verdadeiros vampiros do alheio.

-Impulsivo: - Porquanto não tem projeto de médio e longo prazo, quer tudo imediatamente. Quando não o consegue, é tomado de tédio e fúria.

-Irresponsável: - A culpa, para ele, é sempre dos outros... Nunca assume a responsabilidade de seus atos. Daí deixar sempre um rasto de destruição por onde passa.

-Promiscuidade sexual: - Ponto marcante de seu mau caráter!

-Desumano ou PERVERSO: - Já nasce totalmente destituído de qualquer sentimento humano. Portanto, não tem remoço de nada de mau que tenha feito a outrem.
Certamente, a PERVERSIDADE  é  o pior de seus tantos  defeitos.

Enfim, nem os animais mais ferozes são tão perigosos quanto o tal psicopata!
   

Montes Claros – 13-02-2016
Romildo Ernesto de Leitão Mendes                  


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Súplica de sertanejo sedento


-Chove chuva almejada...
Chove sem parar
Ah! Se puder bem devagarinho
Que nem leite de peito de mãe
A alimentar recém nascido faminto.

-Chove chuva anelada
Chove sem parar
Se puder bem devagarinho.
Mas que sejas persistente...
Constante e duradoura.
Se possível que nem lágrimas
De mulher abandonada
Ou que nem queixumes
De homem traído.

-Chove chuva benfazeja
Chove sem parar
Mas se puder
Que seja bem de vagarinho...
 E sempre a contento
Ou então que seja mesmo do jeito
Que ao dono do tempo bem aprouver.

-Chove chuva plantadora
Chove sem parar
Tomara que não sejas tão assustadora
Do jeito que conhecemos:
Com urros de trovões ouriçados...
Com relâmpagos reluzentes...
Com raios de neon a pipocar
Por todo lado
Com ventos barulhentos a assoviarem
Por todo canto
Fazendo muito medo a gente.

-Mas...Chove chuva benfazeja,
Chove chuva almejada
Porquanto quero sentir
Aquele cheirinho gostoso
Que exala da terra molhada.
Porque quero ouvir o barulhinho
Dos pingos d’água
A tilintarem no telhado seco da casa
E no telhado ávido d`alma sertaneja.

-Chove chuva gostosa...
Chove chuva vadia
Que fecunda a terra no cio
E que também fecunda o coração
Esperançoso do sertanejo
Que só de pensá nocê
Chove chuva,
Se lambuza todinho...
De alegria verdinha verdinha.


Montes Claros(MG)- 30-09-2013

RELMendes

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Louvação ao dia a caminho

                       Um sussurro poético a Daniel

Bem do jeitão sertanejo

-Eta alvorecer lindo
 Da gota serena sô!

Ah!... Então vamos que vamos
Caitituar... sem hesitar,
Esse lindo raiar do dia
A caminho sô!

Sendo assim... por gentileza,
Ó meu derradeiro pimpolho
Desperta desperta
Ligeirinho ligeirinho
Vem cá depressinha
E vamos que vamos caitituar
Esse lindo raiar do dia
A caminho... sô!
Porquanto quero muito
Sussurrar a ti...
Neste momento,
Em segredos tantos
Alguns versinhos singelos
Que falem das inenarráveis
Belezas da vida matinal
Que nesta hora do dia
Abusadamente despontam  
Generosas e abundantes
Pelos campos vales
E campinas verdinhas
Verdinhas

-Eta alvorecer lindo
 Da gota serena sô!

Ah!... Então vamos que vamos
Caitituar... sem hesitar,
Esse lindo raiar do dia
A caminho sô!

-Portanto... só por curiosidade
Ó meu derradeiro pimpolho
Faz-me agora companhia  
E caminhemos...
A pés em nuvens,
Por este amanhecer afora
- Quiçá até bem lá acolá além
   Que nem mesmo sei eu
   Bem lá onde... ara!-
Mas... despreocupadamente,
E sem aperreio algum
Pra não espantar
Essas belezas do alvorecer
Que regularmente ocorrem
No arrebol da aurora... ora!

-Eta alvorecer lindo
 Da gota serena sô!

Ah!... Então vamos que vamos
Caitituar... sem hesitar,
Esse lindo raiar do dia
A caminho sô!

-À vista disto...
Ó meu derradeiro pimpolho
Se a ti isto te apraz
Espia espia...
Agorinha mesmo
Sem avareza alguma
O sol a dourar o horizonte
Ainda sombreado de noite
Em retirada...
Porquanto raiara o dia
A caminho... ora!

-Eta alvorecer lindo
 Da gota serena sô!

Ah!... Então vamos que vamos
Caitituar... sem hesitar,
Esse lindo raiar do dia
A caminho sô!

-Aliás...
Ó meu derradeiro pimpolho
Neste momento singular, 
Se bem a ti te aprouver enfim
Arregales bem estes teus olhos
Sonolentos e dorminhocos
E espia lá... aos confins,
Um belo campo de girassóis
Balouçantes e rodopiantes
A se contorcerem suavemente  
Ao sabor das rajadas
Do vento da manhã
Em busca da luz radiante
Do sol nascente... ora!

-Eta alvorecer lindo
 Da gota serena sô!

Ah!... Então vamos que vamos
Caitituar... sem hesitar,
Esse lindo raiar do dia
A caminho sô!

-A propósito...
Ó meu derradeiro pimpolho
Matutamente,
Peço-te também ainda
Que não percas a chance
De fartar-te por inteiro
Com a beleza indescritível  
Dessas borboletinhas
Multicoloridas e bagunceiras  
Que ora já despertas
Tresvariam ás margens
Desse riachinho displicente
Que percorre agilmente
Seu curso rumo aos confins
A borbulhar...
Suas águas cristalinas
Que nem lágrimas
De criança contrariada... ora!

-Ah!... E se ainda
Do teu agrado for
Ó meu derradeiro pimpolho
Então acocora-te por aqui
Á sombra desse pequizeiro
Em flor... 
E ponha-te a espiar
Por horas a fio  
De esguelha ou acintosamente
O vôo... bólido e balanceado,
Dessas buliçosas andorinhas
Que a trissar... lá das alturas,
Voejando coreografam cenas
Ligeiras e sincronizadas
Como se fossem elaboradas
Por bailarinas aladas

-Eta alvorecer lindo
 Da gota serena sô!

Ah!... Então vamos que vamos
Caitituar... sem hesitar,
Esse lindo raiar do dia
A caminho sô!

-Por fim... olhem só!
Alanceados de encantamentos
Que a nós sertanejos
Nos transcendem
A alma... o coração e olhos
- marejados de riachinhos
- enfeitados de girassóis
- bordados de andorinhas
  etc etc e tal!
Então matutamente
Cá nos quedamos nós
A esperar um novo raiar
Do dia a caminho...
Que por decerto vira
Indubitavelmente
Novamente amanhã... ora!

Ah!... Então vamos que vamos
Caitituar... também,
Esse novo lindo raiar do dia
A caminho sô!

Montes Claros(MG), 23-06-2002

RELMendes

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O perfil da juventude em mim

RELMendes
Apenas um moço do interior
Isso era fato em mim
Posto que moço feito de quintais
E jardins de rolinhas e hortaliças
Mas que pensava viver cidade
Bordada de madrugadas envolventes
E de dias laboriosos enfim

Apenas um moço do interior
Isso era fato em mim
Mas moço que vivia mente alhures
Posto que se perdia em ouvir
As bachianas de Vilas Lobos
E se inebriava ao som
Dos Beatles e dos Rolling Stones
Quando não se pegava
Nas asas da imaginação
A caminhar displicentemente  
Pelas calçadas das avenidas
Dos Champs Élysées
Da luminosa Paris
Da iluminada Edith Piaf
Que tanto encantava a mim  

Apenas um moço do interior
Isso era fato em mim
Moço que fez a hora acontecer
E chegara á Sampa empregadora
De mala e cuia
Sem lenço nem documento
Mas cheinho de esperança
E com muita disposição ao trampo
Pra realizar seus tantos sonhos
E tudo mais enfim

Montes Claros (MG), 17-09-2007

RELMendes